Quem não teve um colega de trabalho querido, simpático, cooperativo, enfim um bom colega de trabalho, que quando investido em um cargo com a prescrição de “Poder” se transformou?
Cansada de me perguntar a respeito dos motivos da tal mudança, pesquisei em religiões, seitas, cultos, filosofias, encosto, possessão, sabe-se lá o que mais e concluí ser a ação do psicotrópico “Poder” – substância de venda e prescrição (des)controlada, que causa dependência, provavelmente, obtida pelo mercado negro ou traficância. Tarja pretíssima – a responsável por tamanho dano.
Identificação do Produto: “Poder” – ter possibilidade; dispor de força ou autoridade; ter ocasião, ter oportunidade, meio de; conseguir.
Informações ao Paciente: dê “Poder” a uma pessoa e espere sua real personalidade se manifestar.
Precauções: estudos relatam o preocupante fato de que pessoas investidas em cargo, no caso em voga provisório, sofrem um tipo de metamorfose indescritível na medicina. O que vem ao encontro de que o uso de “Poder”, sem prescrição médica, pode transfigurar pessoas em lobisomens, vampiros, mulas-sem-cabeça, vulgarmente chamados de “chefia”, “patrão”, “Deus” e outros não publicáveis. (estou com falta de piiiii)
Efeitos colaterais: “Poder” produz efeitos alucinógenos. Quem dele bebe se vê de forma nunca dantes vista e aos outros como réles, incapazes, desprovidos.
Há, inclusive, não raros casos relatados de total esquecimento de outras pessoas e de algumas palavras como: obrigada, por favor, etc. É mencionada, ainda, amnésia relativa a certos gestos como os de delicadeza, gentileza, agradecimento, solidariedade, cooperação.
Outros efeitos colaterais dão conta de que o uso prolongado de “Poder” provoca efeitos osmóticos, fazendo com que pessoas, que convivem com o ser viciado, comecem a acreditar que o usuário realmente o detém e tentem se aproximar para beber as últimas gotas que restem da dose. Ledo engano, ninguém detém “Poder”, mas é detido, refém, vítima de suas ações e reações, voluntárias ou não, racionais ou não.
Advertências: alerta-se aos usuários que “Poder” tem efeito altamente aliciante e contaminador. As formas de contaminação vão do mais leve interesse profissional ao alpinismo social.
Outras Aplicações: infinitas são as acepções desta droga que age, igualmente, nos sentimentos de amizade, familiares, condominiais, etc. onde o abuso de “Poder”, por vezes, traz consigo efeitos anestesiantes, senão a própria ruptura da relação.
Reações Adversas: “Poder” tem tal poder que priva habitues de visão realística acerca dos que os rodeiam, dificultando o discernimento entre interesses difusos e prolixos dos reais e consideráveis.
Dependentes de “Poder”, em casos ostensivos, apresentam apego material a prédios suntuosos, mesas grandes, cadeiras de espaldar alto, não excludente a manifestação da “Síndrome de TASSI” [1], na qual possuidores da receita de “Poder”, em sua confusão mental, acreditam ser a última bolachinha recheada do pacote.
Posologia: recomenda-se o uso de “Poder” com moderação e consciência, tanto da parte de quem o ministra como de quem pretende usá-lo. Nunca deixe de observar o prazo de validade.
Superdosagem: em casos de surtos ou intoxicações suspenda o uso de “Poder” imediatamente, procure alguém que o faça voltar à realidade ou faça um exame de consciência, ou ainda, em última análise, tome uma dose de “Vergonha” acompanhada de uma dose de “Respeito Mútuo”, antídotos que vêm demonstrando grande eficácia no cessamento dos sintomas.
Como, na maioria dos casos, o motivo do “Poder” é provisório seus efeitos tendem a acabar, deixando resíduos irretratáveis, talvez, instransponíveis nas relações humanas.
Fugaz e ilusório, “Poder” tende a replicar suas ações no sucessor, muitas vezes, de forma triplicada quanto ao antecedente.
A esperança é que testes laboratoriais comprovaram a imunidade de certas pessoas aos princípios ativos do “Poder”. Estes exemplos continuam em estudo, a fim de que se encontre a cura definitiva para este mal.
Quem corrompe quem afinal? Eu absolvo o “Poder”!
Portanto, CUIDADO! Quando em uso de “Poder” não esqueça sua origem!
Verifique sempre o prazo de validade e lembre-se:
“Poder” é ESTAR, mas NUNCA consistirá em SER!
[1] Síndrome de TASSI: nome científico para o caso de surto, onde a pessoa se reconhece como algo que não é. Vulgarmente conhecida pela expressão: “Tá se achando”!
Eu voltei, agora pra ficar… “porcaqui”, “caqui” é meu lugar…
Em dezembro sempre começam “os corrimentos” de praia.
Todo o final de semana é a mesma missa. Sexta-feira escolhe as coisas, enfia na mala, desce a mala pelo elevador, enfia no carro, pega a estrada lotadíssima; chegando na praia, desce tudo, tira da mala, usa a metade ou um quarto do que levou, no domingo, soca tudo de qualquer jeito na mala, pega a estrada lotada e volta, sobe mala, desarruma mala, mala, mala, mala, mala.
Parafraseando a Linda: “– Mas que idéia de diversão é essa!”
Enfim, este ano não foi diferente, no entanto o limbo – período compreendido entre final de dezembro e março, quando o ano começa – foi bem divertido. Aliás, Feliz Ano Novo!
Talvez a divertida fosse eu, mas sei que foi bom.
Nas férias, viro uma devoradora de livros, li muito, coisa que durante o ano não consigo fazer com a freqüência e a intensidade que gostaria, e, lá pelas tantas, quando se acabaram os livros, li Paulo Coelho e Martha Medeiros. Entenda como quiser! Eu, que tenho vergonha de mostrar muitos dos textos que escrevo, fico espantada com a coragem de certos “escritores”.
Dentre os livros que li, posso dizer da minha atual paixão pelo Dan Brown. Pouco me interessa se o que ele escreve é ficção ou romance ou fato, a verdade é que o cara não escreve livros, escreve filmes. A gente começa a ler e se revolta com os acontecimentos, entra na atmosfera do livro e, quando tem que parar de ler para, no mínimo, dormir, fica naquelas de “só mais um capítulo”, numa destas eram cinco da manhã. Pura leitura para diversão, que prende de verdade!
Nestas férias viajei, seja pelos livros, que insistiram em se mostrar mais coloridos, mais divertidos, mais leves, ou pelos locais de sempre.
Olhei para o mar, diversas vezes, com cara de quem nunca o tinha visto e cada vez que punha os pés na areia, um turbilhão de emoções se descarregava como um fio terra. Voltei mais leve.
Acabei deixando as arrumações da residência nova para o começo do ano, leia-se: março. E pior, estendi as tais férias até domingo 12/03, finalizando duas semanas de inteiro ócio em Santa Catarina.
Ah o ócio!
O ócio por si só já me bastaria, mas com a paisagem de Santa foi demais.
Até as tempestades foram lindas e o mais interessante foi que, por alguma força do destino, elas começavam bem no fim da tarde, formavam uma paisagem deslumbrante, e, na manhã seguinte, lá estava ele, o sol, radiante e me esperando à beira da praia.
Até o péssimo gosto dos argentinos, uruguaios, ou seja mais o que “hablan” por lá, foi muito divertido.
A parceria do meu irmão foi uma coisa à parte. O gatíssimo tava solto, feliz da vida, nos divertimos muito juntos e formamos uma dupla das mais dez do mundo. Amei cada minuto que ficamos juntos e isso só fez valer ainda mais o meu amor por ele. O cara é tudo!
Foram férias de fato!
Senti saudade de muita gente, ah, como senti! Tanta gente que eu queria que estivesse junto para compartilhar a minha alegria e tantas nem sabem! Com a deusa das águas conversei durante horas pedindo proteção e cura ao meu amigão do coração Ênio e meu primo amado Cassiano! Sei que ela sempre atende!
Deu tempo para pensar, refletir a vida, somar diferenças e multiplicar igualdades, e continuar pouco me importando com as pessoas que perderam seu tempo por não gostar de mim ou do meu jeito… “Eu passarinho…” Mário Quintana, nesse sentido, virou regra!
Enfim, tirei férias!
Tira também, agora, na frente do micro! Larga essa porcaria de Internet, sai da frente desse computador, olha a lua, olha para rua, olha as pessoas, os carros, o movimento, vive a diferença, renova-te de alguma forma, pára de comprar vista pro mar e esquecer de olhá-lo, e, se não puderes tirar férias de fato, tira de hoje até amanhã!
Não interessa a forma, a maneira, o jeito, tira férias!
Olha tua vida de um prisma diferente, só para variar.
Enxerga-te com a paz que não tens diariamente!
E aprende: “O melhor da viagem… é voltar para casa!”
PS* 04/06/2008: meu primo Cassiano, o ser mais querido, ingênuo, amoroso, conciliador, feliz, amigo, sem palavras pra descrever, que já conheci, apesar de todos os meus pedidos, faleceu ano passado com 17 anos, de câncer.
Câncer mesmo é perder uma pessoa desse tipo em tão pouco tempo para uma doença “inexplicável” para o que alguns chamam “ciência” cujo nome mais apropriado, talvez seja, comércio e dinheiro.
A falta do Cassio nunca será suprida por nada neste mundo, nenhuma inocência, tamanha bondade e caráter pode ser tirada desta forma de um mundo tão desregrado e ingrato!
Tenho certeza que o Cassio não está no céu, porque se existe um era exatamente o que ele é!